Arrendar um T1 em Portugal já custa, em média, mais do que o salário mínimo

Renda mediana de um apartamento de um quarto chega a 1.128 euros por mês. Lisboa, Porto, Faro e Madeira estão entre os mercados mais caros
O custo de arrendar uma casa em Portugal continua a pesar no orçamento de quem vive ou pretende viver no país. Um levantamento recente do portal imobiliário idealista mostra que o preço mediano de um apartamento T1 — imóvel com um quarto — chegou a 1.128 euros por mês no segundo trimestre de 2026.
O valor é superior ao salário mínimo nacional de 920 euros, em vigor desde janeiro de 2026. Na prática, a renda mediana de um T1 em Portugal ultrapassa o salário mínimo em 208 euros, antes mesmo de serem consideradas despesas como alimentação, transporte, eletricidade, água, internet e outros custos do dia a dia.
Os dados analisados pelo idealista referem-se aos preços anunciados para arrendamento de longa duração entre abril e junho de 2026 e consideram apenas os mercados com uma amostra considerada representativa.
T1 custa mais do dobro de um quarto
A diferença entre arrendar um apartamento inteiro e optar por um quarto numa casa partilhada é significativa.
Segundo o levantamento, um quarto custa, em média, 505 euros por mês em Portugal. Já o T1 chega aos 1.128 euros, uma diferença de 123%.
Os estúdios aparecem numa posição intermediária: apresentam renda mediana de 908 euros mensais, sendo aproximadamente 20% mais baratos do que um T1, mas ainda 80% mais caros do que um quarto.
Tipo de alojamento | Renda mediana mensal |
Quarto | 505 € |
Estúdio | 908 € |
T1 | 1.128 € |
Essa diferença ajuda a explicar por que o arrendamento de quartos em casas partilhadas continua sendo uma alternativa procurada por estudantes, trabalhadores e pessoas que chegam a Portugal e ainda não conseguem assumir sozinhas os custos de uma habitação.
Lisboa tem os T1 mais caros
Entre os distritos e regiões analisados, Lisboa apresenta a renda mediana mais elevada para um T1: 1.354 euros por mês.
Na sequência aparecem:
Madeira: 1.295 €
Faro: 1.171 €
Porto: 983 €
Setúbal: 981 €
São Miguel, Açores: 979 €
No outro extremo estão distritos onde os preços são consideravelmente mais baixos. A Guarda apresenta uma renda mediana de 456 euros, seguida de Castelo Branco, com 527 euros, e Bragança, com 529 euros.
E nas cidades?
Quando a análise considera especificamente as capitais de distrito e das regiões autónomas, os valores sobem em alguns dos principais centros urbanos.
Em Lisboa, a renda mediana de um T1 chega a 1.409 euros por mês.
No Funchal, o valor é de 1.340 euros, enquanto no Porto chega a 1.003 euros. Faro aparece logo depois, com 1.001 euros.
Para quem recebe o salário mínimo de 920 euros, isso significa que a renda mediana de um T1 na cidade do Porto, por exemplo, já ultrapassa o salário mínimo em 83 euros. Em Lisboa, a diferença chega a 489 euros.
É importante lembrar que essa comparação é apenas entre renda e salário bruto mínimo e não significa que todos os imóveis tenham esses preços nem que todos os trabalhadores recebam o salário mínimo.
Quartos continuam sendo uma alternativa mais barata
Para quem não consegue assumir sozinho uma renda de quatro dígitos, o arrendamento de um quarto continua apresentando valores mais baixos.
Nas cidades analisadas, Lisboa e Funchal registram as maiores rendas medianas para quartos, ambas em torno de 570 euros mensais.
No Porto, o valor mediano é de 457 euros.
Já entre as opções mais económicas aparecem Guarda, com 200 euros, Beja, com 270 euros, e Viseu, com 271 euros.
A procura por quartos também continua elevada. Um levantamento anterior do idealista mostrou que, no segundo trimestre de 2026, a procura por quartos aumentou 27% em Portugal, enquanto a oferta recuou 11% em relação ao mesmo período do ano anterior.
No Porto, especificamente, a procura por quartos mais do que duplicou no período, com crescimento de 104%, enquanto a oferta caiu 43%.
Para quem chega do Brasil, a escolha da cidade pode fazer diferença
Os números mostram uma diferença considerável entre os mercados de arrendamento portugueses.
Para brasileiros que estão planejando mudar-se para Portugal, a escolha da cidade pode ter impacto direto no orçamento mensal. Lisboa e Porto concentram oportunidades de trabalho, serviços e uma grande comunidade brasileira, mas também apresentam custos elevados de habitação.
Outras regiões oferecem valores de arrendamento mais baixos, embora seja necessário considerar também a disponibilidade de empregos, transportes públicos, serviços, distância dos grandes centros e outros custos associados à mudança.
Por isso, comparar apenas o preço anunciado da renda não é suficiente para determinar o custo de viver em determinada cidade.
Oferta de casas também é um desafio
A pressão sobre o mercado de arrendamento não está relacionada apenas aos preços.
Dados do idealista divulgados em julho mostraram que a oferta de imóveis para arrendamento de longa duração em Portugal caiu 22% no segundo trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025. O número de imóveis anunciados ficou em cerca de 40.700 unidades.
Ao mesmo tempo, outro levantamento do portal apontou que cada anúncio de arrendamento recebeu, em média, 24 contactos durante o segundo trimestre de 2026, 36% mais do que no mesmo período do ano anterior.
Isso ajuda a explicar por que encontrar uma habitação adequada pode ser uma das etapas mais difíceis para quem procura estabelecer-se em Portugal.
O que os números mostram
Os dados do segundo trimestre de 2026 indicam um mercado bastante diferente dependendo do tipo de alojamento e da localização.
Enquanto o preço mediano nacional de um quarto é de 505 euros, um estúdio chega a 908 euros e um T1 a 1.128 euros. Nas principais cidades, os valores podem ser ainda mais elevados.
Para quem está chegando a Portugal, especialmente com um orçamento inicial mais limitado, dividir uma casa pode representar uma diferença significativa nas despesas mensais. Para quem procura independência e pretende arrendar um imóvel inteiro, por outro lado, o rendimento disponível passa a ser um fator fundamental na escolha da cidade e da tipologia.
Os valores são preços medianos de oferta, e não necessariamente os valores finais negociados entre proprietários e inquilinos. Além disso, os dados analisados correspondem ao segundo trimestre de 2026 e não representam todos os imóveis disponíveis no país.
📌 Números que merecem atenção
1.128 € — renda mediana de um T1 em Portugal
920 € — salário mínimo nacional em 2026
505 € — renda mediana de um quarto
908 € — renda mediana de um estúdio
1.409 € — T1 mediano na cidade de Lisboa
1.003 € — T1 mediano na cidade do Porto
570 € — quarto mediano em Lisboa e Funchal









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