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Arrendar um T1 em Portugal já custa, em média, mais do que o salário mínimo

Foto do escritor: Roberto Melo
Roberto Melo
25 de set.
5 min de leitura



Renda mediana de um apartamento de um quarto chega a 1.128 euros por mês. Lisboa, Porto, Faro e Madeira estão entre os mercados mais caros


O custo de arrendar uma casa em Portugal continua a pesar no orçamento de quem vive ou pretende viver no país. Um levantamento recente do portal imobiliário idealista mostra que o preço mediano de um apartamento T1 — imóvel com um quarto — chegou a 1.128 euros por mês no segundo trimestre de 2026.


O valor é superior ao salário mínimo nacional de 920 euros, em vigor desde janeiro de 2026. Na prática, a renda mediana de um T1 em Portugal ultrapassa o salário mínimo em 208 euros, antes mesmo de serem consideradas despesas como alimentação, transporte, eletricidade, água, internet e outros custos do dia a dia.


Os dados analisados pelo idealista referem-se aos preços anunciados para arrendamento de longa duração entre abril e junho de 2026 e consideram apenas os mercados com uma amostra considerada representativa.


T1 custa mais do dobro de um quarto


A diferença entre arrendar um apartamento inteiro e optar por um quarto numa casa partilhada é significativa.

Segundo o levantamento, um quarto custa, em média, 505 euros por mês em Portugal. Já o T1 chega aos 1.128 euros, uma diferença de 123%.


Os estúdios aparecem numa posição intermediária: apresentam renda mediana de 908 euros mensais, sendo aproximadamente 20% mais baratos do que um T1, mas ainda 80% mais caros do que um quarto.


Tipo de alojamento

Renda mediana mensal

Quarto

505 €

Estúdio

908 €

T1

1.128 €


Essa diferença ajuda a explicar por que o arrendamento de quartos em casas partilhadas continua sendo uma alternativa procurada por estudantes, trabalhadores e pessoas que chegam a Portugal e ainda não conseguem assumir sozinhas os custos de uma habitação.


Lisboa tem os T1 mais caros


Entre os distritos e regiões analisados, Lisboa apresenta a renda mediana mais elevada para um T1: 1.354 euros por mês.


Na sequência aparecem:

  • Madeira: 1.295 €

  • Faro: 1.171 €

  • Porto: 983 €

  • Setúbal: 981 €

  • São Miguel, Açores: 979 €


No outro extremo estão distritos onde os preços são consideravelmente mais baixos. A Guarda apresenta uma renda mediana de 456 euros, seguida de Castelo Branco, com 527 euros, e Bragança, com 529 euros.


E nas cidades?


Quando a análise considera especificamente as capitais de distrito e das regiões autónomas, os valores sobem em alguns dos principais centros urbanos.


Em Lisboa, a renda mediana de um T1 chega a 1.409 euros por mês.

No Funchal, o valor é de 1.340 euros, enquanto no Porto chega a 1.003 euros. Faro aparece logo depois, com 1.001 euros.


Para quem recebe o salário mínimo de 920 euros, isso significa que a renda mediana de um T1 na cidade do Porto, por exemplo, já ultrapassa o salário mínimo em 83 euros. Em Lisboa, a diferença chega a 489 euros.


É importante lembrar que essa comparação é apenas entre renda e salário bruto mínimo e não significa que todos os imóveis tenham esses preços nem que todos os trabalhadores recebam o salário mínimo.


Quartos continuam sendo uma alternativa mais barata


Para quem não consegue assumir sozinho uma renda de quatro dígitos, o arrendamento de um quarto continua apresentando valores mais baixos.


Nas cidades analisadas, Lisboa e Funchal registram as maiores rendas medianas para quartos, ambas em torno de 570 euros mensais.


No Porto, o valor mediano é de 457 euros.


Já entre as opções mais económicas aparecem Guarda, com 200 euros, Beja, com 270 euros, e Viseu, com 271 euros.


A procura por quartos também continua elevada. Um levantamento anterior do idealista mostrou que, no segundo trimestre de 2026, a procura por quartos aumentou 27% em Portugal, enquanto a oferta recuou 11% em relação ao mesmo período do ano anterior.


No Porto, especificamente, a procura por quartos mais do que duplicou no período, com crescimento de 104%, enquanto a oferta caiu 43%.


Para quem chega do Brasil, a escolha da cidade pode fazer diferença


Os números mostram uma diferença considerável entre os mercados de arrendamento portugueses.


Para brasileiros que estão planejando mudar-se para Portugal, a escolha da cidade pode ter impacto direto no orçamento mensal. Lisboa e Porto concentram oportunidades de trabalho, serviços e uma grande comunidade brasileira, mas também apresentam custos elevados de habitação.


Outras regiões oferecem valores de arrendamento mais baixos, embora seja necessário considerar também a disponibilidade de empregos, transportes públicos, serviços, distância dos grandes centros e outros custos associados à mudança.


Por isso, comparar apenas o preço anunciado da renda não é suficiente para determinar o custo de viver em determinada cidade.


Oferta de casas também é um desafio


A pressão sobre o mercado de arrendamento não está relacionada apenas aos preços.


Dados do idealista divulgados em julho mostraram que a oferta de imóveis para arrendamento de longa duração em Portugal caiu 22% no segundo trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025. O número de imóveis anunciados ficou em cerca de 40.700 unidades.


Ao mesmo tempo, outro levantamento do portal apontou que cada anúncio de arrendamento recebeu, em média, 24 contactos durante o segundo trimestre de 2026, 36% mais do que no mesmo período do ano anterior.


Isso ajuda a explicar por que encontrar uma habitação adequada pode ser uma das etapas mais difíceis para quem procura estabelecer-se em Portugal.


O que os números mostram


Os dados do segundo trimestre de 2026 indicam um mercado bastante diferente dependendo do tipo de alojamento e da localização.


Enquanto o preço mediano nacional de um quarto é de 505 euros, um estúdio chega a 908 euros e um T1 a 1.128 euros. Nas principais cidades, os valores podem ser ainda mais elevados.


Para quem está chegando a Portugal, especialmente com um orçamento inicial mais limitado, dividir uma casa pode representar uma diferença significativa nas despesas mensais. Para quem procura independência e pretende arrendar um imóvel inteiro, por outro lado, o rendimento disponível passa a ser um fator fundamental na escolha da cidade e da tipologia.


Os valores são preços medianos de oferta, e não necessariamente os valores finais negociados entre proprietários e inquilinos. Além disso, os dados analisados correspondem ao segundo trimestre de 2026 e não representam todos os imóveis disponíveis no país.


📌 Números que merecem atenção



1.128 € — renda mediana de um T1 em Portugal

920 € — salário mínimo nacional em 2026

505 € — renda mediana de um quarto

908 € — renda mediana de um estúdio

1.409 € — T1 mediano na cidade de Lisboa

1.003 € — T1 mediano na cidade do Porto

570 € — quarto mediano em Lisboa e Funchal

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